terça-feira, 26 de março de 2019

Ibama apreende mais de mil toneladas de pescado irregular em 14 estados.

Operação de combate a irregularidades na cadeia produtiva do pescado realizada pelo Ibama em 14 estados resultou até o momento na apreensão de 1,2 mil toneladas de peixe e na aplicação de 112 autos de infração.
O Amazonas concentrou a maior quantidade de irregularidades identificadas. Das 17,8 toneladas de pescado apreendidas no estado, cerca de 9,6 toneladas são de piracatinga, que tem a captura proibida desde 2015.
Em Alagoas, os 29 autos de infração emitidos somam R$ 11 milhões, valor mais elevado entre os estados que foram alvo de fiscalização.
Inspeções frequentes na cadeia produtiva impulsionam a busca por mercadoria de origem legal, o que leva pescadores a regularizar embarcações e atividades de pesca.
A Operação Catena, termo em latim que dá origem à palavra cadeia, investiga infrações em cada etapa do comércio pesqueiro nos estados de Alagoas, Amapá, Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. O objetivo é coibir a pesca predatória e a comercialização de espécies proibidas para estimular a conformidade das atividades, com reflexo positivo em todo o setor.
O pescado apreendido será doado a instituições sem fins lucrativos.
Fonte: IBAMA

sexta-feira, 22 de março de 2019

Em dia internacional, ONU defende educação sobre florestas para preservar recursos naturais.

No Dia Internacional das Florestas, lembrado nesta quinta-feira (21), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) defende a educação sobre esses ecossistemas como estratégia para preservar os recursos naturais do planeta. Cerca de 90% de todas as espécies terrestres de seres vivos são encontradas nas florestas, que oferecem não apenas um habitat para a biodiversidade, mas também uma série de serviços ecossistêmicos para os humanos.
“As florestas ajudam a manter o ar, o solo, a água e as pessoas saudáveis. E elas desempenham um papel vital no combate a alguns dos maiores desafios que enfrentamos, tais como a luta contra as mudanças climáticas e a erradicação da fome”, afirmou em mensagem para a data o chefe da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.
Em 2019, a ONU comemora o dia internacional com o tema Florestas e educação. “A educação é um passo crítico para proteger os recursos naturais para as gerações futuras. É essencial que as crianças aprendam sobre as florestas desde cedo”, acrescentou Graziano.
Embora os benefícios trazidos pelas florestas sejam amplamente documentados, a integridade e a sustentabilidade dessas formações vegetais, alerta a FAO, estão ameaçadas pelos efeitos cumulativos do desmatamento, degradação da terra e competição por usos alternativos do solo.
De 1990 a 2015, a proporção da superfície do planeta coberta com florestas passou de 31,6% para 30,6%. Os dados são do último Panorama Ambiental Global, divulgado na semana passada pela ONU Meio ambiente.
O relatório alerta ainda que, conforme o desmatamento avança na Floresta Amazônica, o volume de chuvas tem diminuído — um sintoma da interação entre as florestas, o clima e as necessidades humanas. Estimativas recentes indicam que, caso o desflorestamento destrua de 20 a 25% da cobertura vegetal original da bacia amazônica, o bioma chegará a um “ponto sem retorno”, com prejuízos irreversíveis para o ciclo hidrológico. Nos últimos 50 anos, 17% da extensão original da Amazônia foi devastado, de acordo com dados da WWF citados no panorama da ONU.
Talvez o maior desafio dos esforços de conservação, aponta a FAO, seja a falta de entendimento sobre os modos como as florestas contribuem com a sociedade global. Parte das lacunas nessa compreensão se deve à crescente desconexão entre as pessoas e a natureza, em particular nas áreas urbanas. A FAO ressalta que esse problema precisa ser encarado e revertido — e que a educação pode ajudar a superar esse cenário.
O organismo internacional destaca, porém, que a educação sobre florestas é frequentemente inadequada e não é capaz de abordar desafios emergentes. Menos jovens estão estudando o uso dos recursos florestais nas universidades e um número ainda menor de escolas dos ensinos fundamental e médio inclui a educação sobre florestas em seus currículos. Quando o tema é inserido na formação de crianças e adolescentes, nem sempre o assunto é trabalhado de maneira a explicar o papel multifuncional das florestas.
A FAO tem trabalhado com parceiros para conscientizar os jovens e a população em geral sobre as ameaças às florestas. A agência empreende esforços na criação de programas educativos abrangentes e também no estabelecimento de escolas vocacionais rurais, que possam capacitar profissionais do setor de silvicultura.
Nesse dia internacional, o organismo liderado por Graziano anunciou a implementação de dois projetos de “alfabetização florestal” para crianças de nove a 12 anos, na Tanzânia e Filipinas. Financiados com mais de 1 milhão de dólares do governo da Alemanha, os programas terão duração de três anos e vão envolver a elaboração de módulos educativos que sejam práticos e interativos. A iniciativa prevê a divulgação posterior desse material por meio online, para todo o mundo.
Tanto nas Filipinas quanto na Tanzânia, as florestas são vitais, especialmente para a nutrição das populações rurais, para as necessidades de energia e para os meios de subsistência.
Quase metade da população tanzaniana e um terço da população filipina têm menos de 15 anos de idade. A FAO acredita que educar estudantes do fundamental I sobre o uso sustentável e conservação das florestas é uma porta de entrada para a saúde a longo prazo das florestas dos dois países.
Também com financiamento alemão, a FAO, a Organização Internacional de Madeira Tropical (ITTO) e a União Internacional da Organização de Pesquisa Florestal (IUFRO) estão cooperando para realizar, com outras instituições, um inventário da educação florestal. O levantamento deve catalogar e analisar o estado de práticas de aprendizado sobre o tema em todo o mundo, a fim de identificar lacunas e propor recomendações. O projeto prevê ainda o lançamento de uma plataforma virtual que deverá ser a principal referência global em educação florestal.

Florestas e biodiversidade

Em mensagem para a data, a secretária-executiva da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica, Cristiana Pasca Palmer, afirmou que as florestas, com as suas complexas interações entre seres vivos, são “grandes professoras” para os humanos.
“Elas nos ensinam sobre as variadas formas pelas quais todos os organismos no planeta estão interconectados e, de muitas maneiras, dependem uns dos outros para sobreviver”, disse a dirigente.
“A educação florestal deve incluir tanto a pesquisa científica de ponta como também os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas, que vivem lado a lado da biodiversidade das florestas por inúmeras gerações.”
Cristiana enfatizou ainda que os conhecimentos sobre os benefícios das florestas devem ser acessíveis para crianças, jovens e também para homens e mulheres, sem discriminação de gênero.
Fonte: ONU

quarta-feira, 20 de março de 2019

Campanha chocante usa imagens gráficas para mostrar o mal que a poluição plástica causa aos animais marinhos.

O canudinho, a garrafinha ou a sacolinha plástica que você usou hoje pode não causar, sozinhos, um impacto dramático no mundo, mas se você imaginar que todas as 7,7 bilhões de pessoas que habitam o planeta Terra estão pensando a mesma coisa, o resultado é bastante aterrorizante. Sim, precisamos fazer a nossa parte, por menor que ela pareça, para realmente fazer a diferença.
Felizmente, nos últimos tempos, mais pessoas estão interessadas em salvar nosso planeta simplesmente porque estão mais cientes das ameaças ambientais e do fato de que somos uma grande parte do problema.
E campanhas como a da organização internacional sem fins lucrativos Sea Shepherd Conservation Society (SSCS) são essenciais para criar tal consciência.

Chocar para educar

A SSCS visa conservar e proteger ecossistemas e espécies oceânicas combatendo a destruição da fauna marinha. O grupo uniu-se às agências de publicidade Tribal Worldwide São Paulo e DDB Guatemala para lançar uma campanha chocante de conscientização sobre os plásticos.
Cartazes em 3D retratam dois animais marinhos – uma tartaruga e uma foca – sofrendo com as consequências terríveis de objetos descuidadamente descartados.
Os anúncios transmitem uma mensagem reveladora: “O plástico que você usa uma vez tortura os oceanos para sempre”.


“Infelizmente, uma ação pequena e impensada em nossa vida diária pode causar danos enormes à natureza sem que percebamos isso. Nesta campanha, pretendemos remediar isso alcançando o maior número possível de pessoas, conscientizando o público para o fato de que, com passos pequenos e fáceis, podemos garantir que cenas terríveis como essa não aconteçam”, disse Guiga Giácomo, diretor executivo de criação da Tribal Worldwide São Paulo, ao explicar a ideia por trás da campanha.
Que tal procurar uma alternativa mais sustentável hoje? [BoredPanda]
Fonte: Hypesciene

terça-feira, 19 de março de 2019

Plástico no oceano: baleia é encontrada morta com 40kg de sacolas no estômago.

Uma baleia morta cuja carcaça foi recuperada neste fim de semana nas Filipinas tinha 40 quilos de sacos plásticos dentro do estômago, segundo pesquisadores.

O corpo do animal, um macho jovem da espécie “baleia-bicuda-de-cuvier”, foi resgatado a leste da cidade de Davao, no sábado, 16, por uma equipe do Museu D’Bone Collector – ONG dedicada a ações de educação sobre a vida selvagem e à recuperação de animais mortos.
Em um post no Facebook, a ONG informou que “a causa final da morte da baleia foram 40 quilos de sacolas plásticas, incluindo 16 sacos de arroz, 4 sacos usados em plantações como a de bananas e várias sacolas de compras”.
Junto com diversas imagens, a organização acrescenta que nos próximos dias vai publicar uma relação completa dos resíduos plásticos encontrados no estômago do animal e que a quantidade de lixo que ele engoliu foi a maior já vista até agora em uma baleia.
“Isso é revoltante. O governo tem de tomar uma atitude contra aqueles que continuam tratando os cursos de água e o oceano como lixeiras”, acrescenta o texto. Em entrevista à CNN, o fundador e presidente do museu, Darrell Blatchley, disse que “não estava preparado para tamanha quantidade de plástico”. “Era muito plástico e ele estava começando a calcificar [a ficar rígido por acúmulo de sais de cálcio].”

Ameaça crescente

A poluição por plástico nos oceanos tem sido apontada como ameaça a diversas espécies de animais no mundo – em alguns países do Sudeste Asiático, incluindo as Filipinas, o uso de plástico descartável é considerado um problema grave.
Cinco nações asiáticas – China, Indonésia, Filipinas, Vietnã e Tailândia – respondem por até 60% do lixo plástico que acaba nos oceanos, de acordo com um relatório de 2015 da Ocean Conservancy e do McKinsey Center for Business and Environment.
Com esse tipo de resíduo despejado na água em uma escala que chega a milhões de toneladas por ano, desde plânctons minúsculos até baleias enormes acabam ingerindo esse material acidentalmente ao se alimentar ou ao confundi-lo com o próprio alimento. A explicação de pesquisadores é que o plástico não só parece, mas também tem cheiro de comida.
Em junho do ano passado, uma baleia-piloto morreu na Tailândia depois de engolir 80 sacolas plásticas.
Sua morte aconteceu pouco depois de um relatório do governo do Reino Unido ter revelado que o nível de plástico no oceano poderia triplicar em uma década, a menos que medidas sejam tomadas para conter a poluição.
Fonte: BBC

segunda-feira, 18 de março de 2019

Poluição do ar é tema do Dia Mundial do Meio Ambiente, que terá China como país-sede.

Nesta sexta-feira (15), o vice-ministro de Ecologia e Meio Ambiente da China, Zhao Yingmin, e Joyce Msuya, diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente, anunciaram que o país sediará as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho de 2019, com o tema “poluição do ar”.

Aproximadamente 7 milhões de pessoas morrem prematuramente a cada ano devido à poluição do ar, sendo 4 milhões das mortes somente na região da Ásia e do Pacífico. O Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano incitará governos, indústria, comunidades e indivíduos a se unirem para explorar a energia renovável e as tecnologias verdes, bem como melhorar a qualidade do ar em cidades e regiões de todo o mundo.

Nesta sexta-feira (15), o vice-ministro de Ecologia e Meio Ambiente da China, Zhao Yingmin, e Joyce Msuya, diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente, anunciaram que o país sediará as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho de 2019, com o tema “poluição do ar”.
Aproximadamente 7 milhões de pessoas morrem prematuramente a cada ano devido à poluição do ar, sendo 4 milhões das mortes somente na região da Ásia e do Pacífico. O Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano incitará governos, indústria, comunidades e indivíduos a se unirem para explorar a energia renovável e as tecnologias verdes, bem como melhorar a qualidade do ar em cidades e regiões de todo o mundo.
A cidade sede do evento será Hangzhou, na província de Zhejiang. Porém, o governo chinês também se comprometeu a organizar as celebrações em várias partes do país.
O anúncio foi feito enquanto ministros do Meio Ambiente de todo o mundo participam do fórum ambiental global de mais alto nível, a Quarta Assembleia da ONU para o Meio Ambiente (UNEA), em Nairóbi, e após a publicação de um relatório de revisão sobre o controle da poluição do ar em Pequim nos últimos 20 anos.
“A China será uma grande anfitriã global das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente em 2019. O país demonstrou liderança no combate à poluição do ar internamente e, agora, pode ajudar a estimular outras partes do mundo a agirem. A poluição do ar é um desafio global e urgente que afeta a todos. A China irá, agora, liderar o impulso e estimular a ação global para salvar milhões de vidas”, declarou Joyce Msuya.
O país asiático, com seu crescente setor de energias verdes, emergiu como um líder climático. Metade dos veículos elétricos e 99% dos ônibus elétricos do mundo circulam dentro de suas fronteiras. Ao sediar o Dia Mundial do Meio Ambiente em 2019, o governo chinês poderá mostrar sua inovação e avançar rumo a um ambiente mais limpo.
Segundo um novo relatório da ONU sobre poluição atmosférica na Ásia e no Pacífico, a implementação de 25 políticas voltadas para tecnologias poderia resultar na redução de 20% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2) e de 45% das emissões globais de metano, o que poderia impedir a elevação da temperatura global em até um terço de grau Celsius.
O Dia Mundial do Meio Ambiente é um evento mundial liderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente que acontece todos os anos, no dia 5 de junho, e é comemorado por milhares de comunidades em todo o mundo. Desde que foi instaurado, em 1972, se tornou a maior celebração do nosso meio ambiente.
Segundo a ONU Meio Ambiente, 92% das pessoas em todo o mundo não respiram ar limpo; a poluição do ar custa à economia global 5 trilhões de dólares por ano; a poluição do solo pelo ozônio deverá reduzir os rendimentos de cultivos básicos em 26% até 2030.

Sobre a ONU Meio Ambiente

A ONU Meio Ambiente é a principal voz global em temas ambientais. Ela promove liderança e encoraja parcerias para cuidar do meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e pessoas a melhorarem a sua qualidade de vida sem comprometer a das futuras gerações.
A ONU Meio Ambiente trabalha com governos, com o setor privado, com a sociedade civil e com outras instituições das Nações Unidas e organizações internacionais pelo mundo.
Fonte: ONU

domingo, 17 de março de 2019

Movimento internacional contra mudanças climáticas chega ao Brasil.

Manifestantes de mais de 1.600 cidades ao redor do mundo sairão às ruas para protestar contra as mudanças climáticas nesta sexta-feira (15/03), em ato que é considerado por ativistas uma das maiores mobilizações pelo clima já vistas. O Brasil está entre os mais de cem países que aderiram ao Fridays for Future (ou Greve pelo Futuro, como vem sendo chamado no Brasil) neste 15 de março, com 19 cidades participantes, segundo a organização.

À frente do movimento global, está a ativista sueca Greta Thurnberg, de 16 anos, que desde agosto do ano passado falta às aulas para pressionar o governo sueco a cumprir o Acordo de Paris, um tratado mundial assinado por quase 200 países, incluindo o Brasil, para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.
Inicialmente sozinha em frente ao Parlamento sueco, Greta conquistou o apoio de estudantes de diferentes países – e de adultos também. Recentemente, mais de 12 mil cientistas de países de língua alemã se posicionaram publicamente a favor das manifestações. O apoio é uma resposta às críticas de políticos que condenam o fato de crianças e adolescentes faltarem às aulas para protestar.
Apesar das polêmicas, as ideias da ativista sueca e o convite à participação nas “greves pelo clima” ganharam enorme repercussão e encontraram adeptos no Brasil. As diferentes manifestações planejadas para esta sexta-feira no país devem contar com a participação de jovens estudantes e também de adultos e têm como foco os impactos locais das mudanças climáticas.
Pensar globalmente, agir localmente
As turmas de 6° ano do Colégio Guarani, de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, vão aderir ao movimento global. Cerca de 90 estudantes, que estão aprendendo sobre mudanças climáticas em sala de aula, devem participar de uma caminhada da escola até a prefeitura, usando cartazes de materiais reciclados feitos por eles.
Além disso, alunos do primeiro ano do ensino médio estão elaborando uma carta com sugestões para deixar a cidade mais sustentável. O documento será entregue à Câmara Municipal.
“Estou tentando marcar um horário para apresentarmos as propostas”, afirma a professora de Ciências e Biologia Jenifer Rocha. Entre as ideias estão o incentivo a telhados verdes ou jardins verticais em prédios e a criação de pontos de coletas de materiais recicláveis vinculados a um sistema de bônus.
Em Peruíbe, no litoral paulista, cerca de 150 alunos da Escola Estadual Portal da Jureia, também planejaram uma passeata com cartazes e faixas até a Praia de Peruíbe, depois de assistirem a uma palestra sobre mudanças climáticas. Lá, eles planejam demarcar o ponto aonde deve chegar o nível do mar caso o aquecimento global não seja contido e alertar para possíveis consequências disso, que incluem inundações. Ao final, eles vão plantar árvores nativas.
O litoral também é uma preocupação para manifestantes em Recife. “Em Maracaípe [praia a 75 quilômetros de Recife], onde moro, tinha uma estrada na beira-mar que chegava até o final da baía. Agora só tem uma parte, porque o mar arrasou o restante dela. Tem gente que está perdendo terrenos porque o mar os está engolindo”, diz a artesã argentina Gisela Díaz, que está à frente do movimento na cidade.
Ela também menciona a chamada maré vermelha, ocorrida no mar de Maracaípe recentemente. O fenômeno acontece quando o aquecimento da água provoca a proliferação de algas que soltam toxinas e fazem mal aos banhistas e à fauna marinha. O aumento da temperatura dos oceanos é um dos efeitos das mudanças climáticas e, segundo estudos recentes, está acontecendo em ritmo mais rápido do que o esperado.
Gisela e um grupo de amigos vai tentar conscientizar motoristas e pedestres sobre as mudanças climáticas nos semáforos de Recife, com a ajuda de placas e o apoio de iniciativas ambientais locais, como Greenpeace e Recife sem lixo.
“A gente não é estudante, alguns nem brasileiros somos, mas acho que isso não tem importância. O mundo é um só, e todos precisamos dele. No último discurso da Greta, ela disse que se os adultos acham ruim que as crianças façam greve, poderiam ocupar seus lugares, ou melhor, se somar a elas. Então, aqui estou”, explica.
Em Juazeiro do Norte, no Ceará, manifestantes vão se reunir numa praça, munidos de cartazes e focando temas locais. “Por sermos do Ceará, iremos falar da atual seca de seis anos, a pior da história, além das pautas globais da Greta e das nacionais, como as medidas do novo governo para o meio ambiente”, diz o estudante de Pedagogia Davi Mota, responsável pela manifestação na cidade.
União e parcerias em prol do clima
Embora as iniciativas no Brasil sejam locais e tenham lideranças distintas, os idealizadores uniram esforços nas redes sociais para fazer o movimento Greve pelo Futuro crescer e conseguir parceiros.
“Contamos com o apoio da ONG internacional 350.org, da ONG Engajamundo, do projeto Criativos da Escola, voluntários nacionais do Greenpeace e outros”, diz Davi, que criou grupos de mobilização.
No Rio de Janeiro, alunos de colégios e universitários vão se reunir diante da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para protestar e também identificar a partir do contato com moradores quais são as demandas locais mais relevantes no contexto das mudanças climáticas.
“Estamos construindo uma lista de reivindicações e vamos visitar os gabinetes da Assembleia para cobrar dos deputados o que eles estão fazendo ou vão fazer”, explica a estudante de Gestão Ambiental Milena Batista.
Em São Paulo, uma das manifestações, organizadas pelo negócio social Muda de Ideia, está marcada para ocorrer em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, e deve contar com a adesão de estudantes da capital.
“Eu tinha que trabalhar na sexta, mas vou estar lá porque quero ser a mudança que desejo para o planeta”, diz Diego Gazola, um dos mobilizadores do evento na Avenida Paulista e pesquisador do projeto Nascentes da Crise, da Muda de Ideia.
Manifestações da Fridays for Future, ou Greve pelo Futuro, também estão planejadas nesta sexta-feira em Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), Brasília (DF), Confresa (MT), Salvador (BA), Florianópolis, (SC), Santa Maria (RS), Imbé (RS), Francisco Beltrão (PR), Santos (SP), Jundiaí (SP), Bragança Paulista (SP) e Socorro (SP).
Fonte: Deutsche Welle

sexta-feira, 15 de março de 2019

Comissão de Meio Ambiente vai debater segurança das barragens.

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) promove audiência pública na  quinta-feira (14), data em que é celebrado o Dia internacional da Luta contra as Barragens, para debater a segurança de barragens no Brasil. Para o autor do requerimento, senador Jean Paul Prates (PT-RN), as recentes tragédias ocorridas no país, nas cidades de Mariana e Brumadinho, ambas em Minas Gerais, evidenciam que as barragens como as que se romperam devem ser extintas em todo o território brasileiro, como já determina a Resolução nº 4, de 15 de fevereiro de 2019, da Agência Nacional de Mineração (ANM), que determina extinção ou descaracterização, até 2021, das barragens chamadas “a montante”.

Nesse sistema, a barragem vai sendo elevada na forma de degraus conforme vai aumentando o volume dos rejeitos de mineração. A lama que é dispensada é formada basicamente por ferro, sílica e água. É o método mais simples, mais barato e mais instável. Segundo o senador, existem 84 barragens a montante no país.
De acordo com estudo da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) elaborado entre 2017 e 2018 para analisar a Política Nacional de Segurança de Barragens, existem cerca de 24 mil barragens no país. Dentre elas, 3.543 foram classificadas como de risco e 5.459 foram classificadas como de dano potencial. Do total, 723 barragens caracterizam-se tanto de risco como de potencial de dano.
Foram convidados para participar da audiência, o diretor de projetos estratégicos do Ministério do Desenvolvimento Regional, Antônio Luitgards Moura; o superintendente de fiscalização da Agência Nacional de Águas (ANA), Alan Vaz Lopes; o representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Iury Charles Paulino Bezerra; o defensor nacional de direitos humanos da Defensoria Pública da União (DPU), Eduardo  Nunes de Queiroz; o conselheiro do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Leandro Scalabrin; a procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat; o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Bernardo Vainer; e um representante da Agência Nacional de Mineração (ANM) a ser definido.
A audiência pública da CMA, que é presidida pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES), que será interativa, acontecerá às 11h, na sala 13 da Ala Alexandre Costa.
Fonte: Agência Senado